quarta-feira, 20 de abril de 2016

Manhã de caca

O seguinte tópico contém termos da gíria com sinónimos equivalentes a "fezes" e ao próprio “acto natural de defecar”. Leiam por vossa própria conta e risco:

Vou começar com a primeira peripécia do blogue. Bem fresquinha porque aconteceu hoje, sim hoje. Pois bem, vieram cá dois picheleiros para me arranjar a sanita de apoio à sala que estava sempre a verter. Então temos mantido a água fechada. (A história promete, pensam vocês). Os senhores apareceram de repente, não estava a contar que viessem tão cedo, mas pronto, paciência. Eles chegaram, bom dia, como está, tudo muito bem.

Entraram, perguntaram onde era a sanita e para lá fomos nós muito felizes da vida. Eis que um dos gajos me levanta a tampa da sanita. Que vejo eu? Claro. Um bruto de um cagalhão que quase nem cabia lá dentro. (What else? diria o Clooney.) Parecia um menir! Ainda se via o rasto castanho por onde tinha escorregado e tudo. Ainda pensei em dizer-lhe que devia ter sido o meu filho de 3 anos pois mais ninguém tem usado a sanita, mas não disse nada. Achei que poderia tornar a situação mais embaraçosa (como se isso fosse possível) e ia parecer uma desculpa desesperada de uma dona de casa que caga à grande e à portuguesa, mas eles com certeza pensaram que fui eu, claro! Até porque só cá estava eu e o meu filho de 23 meses e uma monstruosidade daquelas não sai do cu de um bebé de 90 cm. É senso comum. Também me pareceu um golpe baixo atirar as culpas para cima de um menor que por acaso até é meu filho.

Ninguém disse nada e limitámo-nos os três a olhar para aquele elefante castanho e fingir que lá não estava nada... Até o meu filho de 23 meses aparecer, dar dois saltinhos de euforia e gritar enquanto apontava para a sanita: CACA!!! Naquele momento, meus senhores, desejei morrer.

*Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Ora cá estou eu!

Parece que conto cenas engraçadas, dizem elas. Nem sei se deva considerar o argumento um elogio, porque me limito a contar episódios da minha vida o que me faz repensar todo o meu percurso existencial, mas adiante que se faz tarde... Após vários pedidos (e subornos com coisas altamente açucaradas) lá me decidi a criar uma coisa destas que agora toda a gente parece ter. Um “blog” ou “blogue”, aportuguesadamente falando (como a “pizza” que agora é “piza” e o “bowling” é “bólingue” e “cartão de cidadão” é “cartão de cidadania”). E penso possuir o perfil ideal, pois tal como essa gente toda não tenho nada para dizer e por isso mesmo acho que o meu público-alvo está perfeitamente garantido, porque fartos de gente que têm sempre coisas para dizer andamos nós todos. Não tarda nada estou a ser entrevistada pelo Goucha sobre a quantidade imensa de coisas que não tenho para dizer. Ui é que vai ser! Já me estou a imaginar a assinar autógrafos ao lado da prateleira das fraldas tamanho 4 Nene na mercearia dos meus sogros, enquanto a Dona Clotilde me pede para tirar uma “selfe” com um saco de grelos na mão. Tendo isto sucesso, como todos me garantem que terei, talvez seja este ano que compre o bendito Massajador de Pés que ando a namorar na Worten desde que me lembro de ter pés (que foi mais ou menos na mesma altura que o meu filho mais velho decidiu começar a andar). E pronto é assim a apresentação desta coisa. Até que não correu mal de todo :)